180 Zagora - AzimuTTe Zero

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180 Zagora

Todo-o-Terreno
AzimuTTe: 180 Zagora

9/17 de Abril de 2004

    A ideia inicial era fazer uma espécie de diário de bordo da viagem (podemos chamar-lhe pomposamente ‘Expedição’ se quisermos), ao Norte de África, Marrocos para ser mais exacto. Mas as coisas não correram exactamente como previsto, e nó, acabámos por não anotar, no dia-a-dia, todas as peripécias do que aconteceu. Assim, o que a seguir vem relatado é mais um exercício de memória e pode carecer de alguma verdade factual, de omissões e coisas assim. Feitas as apresentações vamos ao que interessa.

8 de Março – O Rui confirmou finalmente que a viagem era mesmo para se fazer. Para ser sincero já não esperava que fossemos para Marrocos. Tivemos que preparar tudo à pressa e as coisas acabaram só por ficar prontas em cima da hora de partida.

20 de Março - Creio que foi nesse dia, encontrámo-nos na Figueira da Foz com a maior parte do pessoal que iria fazer parte da Expedição. Acontece que aí ocorreu outro problema não previsto, o José Carlos, a Glória e o Hatem convenceram-me a levar a minha filha. Como a minha Defender só estava preparada para levar dois, teve ainda que ser alterada para levar a Ana lá atrás, com os problemas que isso ia acarretar com a arrumação da bagagem. Mas enfim, tudo se arranjou, e acabei por tê-la pronta (a minha Defender), na véspera à noite, sem ter muita ideia como é que ia conseguir arrumar as coisas todas lá atrás.

9 Abril - Sexta-feira - Portugal - La Linea - 650 km
     Arrancámos de manhã, cerca das 10h30m, na esperança de não nos termos esquecido de nada. O encontro com o Rui e a Fátima foi na área de serviço de Alcácer do Sal. Umas idas à casinha e uns cafés depois lá estamos nós a caminho. Almoçamos em Serpa, uma sopa de cação, cabrito assado no forno e bacalhau à Brás, regado com (pouco) tinto (tudo coisas leves como podem constatar para não ficarmos muito enfartados na viagem).
    Correu tudo bem até chegarmos a Sevilha, lá e como íamos à frente a tomar atenção às placas de sinalização e mapas só reparamos muito tarde nuns jipes encostados à berma e que um deles até tinha uma bandeira Portuguesa. Como deixamos de ver o Rui e a Fátima e apesar de estarmos numa espécie de auto-estrada, encostamos fora da berma e aguardámos calmamente. Falta contar que nessa altura em Sevilha chovia torrencialmente. Com o tempo a passar tentamos contactar telefonicamente com o Rui mas sem sucesso. Restava-nos esperar. A perseverança deu resultados e o Rui lá acabou por aparecer. Tive noticia da primeira ‘baixa’ no pelotão. O Patrol do Jorge estava com problemas de aquecimento, o diagnóstico inicial era uma culassa mal apertada, nada de bom se agoirava portanto...
     O grupo do José Carlos (o tal jipe com a bandeira Portuguesa), o Nuno e o Hatem acabaram por ficar com eles. Estavam à espera da expedição do Fórum-TT que o José Carlos conhecia e que trazia com eles um mecânico. Nós, que já não podíamos fazer mais nada para ajudar, prosseguimos a viagem até La Linea. Além disso continuava a chover como o caraças. Com isto tudo, chegámos ao destino já noite dentro, não sem nos termos enganado em Algeciras e termos tomado logo o caminho para o Ferry em vez de seguirmos para o nosso hotel em La Linea.
    O pessoal lá foi chegando ao longo da noite. Aqui aconteceu o segundo percalço o Ricardo perdeu todos os seus documentos, passaporte, livrete, B.I.,... tudo. Todos nós ajudamos a procurar até ao ponto de procurar nos caixotes do lixo das imediações, sem sucesso. O Ricardo foi reportar a ocorrência à Policia Local levando consigo fotocópias dos documentos, que, como pessoa precavida, tinha antecipadamente tirado e colocado numa das malas que estavam no Hotel. Depois de tudo isto resolvido e de estarmos todos, foi efectuado um briefing com a Organização e com a distribuição de Tshirts, pólos, blusões e bonés.
10 Abril – Sábado – La Linea ->Fez 320 Km
     7h,30m Saída do Hotel a caminho do Ferry. Embarcámos cerca das 8h,30m após todas as formalidades. Do Ricardo, nem sinal. Soubemos depois que tiveram de embarcar tipo Indiana Jones, com o Ferry já quase em andamento.
     9h,30m chegada a Ceuta e busca desesperada por um mecânico que resolvesse o problema do Patrol do Jorge. Não foi possível arranjar o jipe e como alternativa estacionaram o Patrol num sitio vigiado e seguiram viagem no Discovery do Zé, o nosso intrépido fotógrafo, que por sorte ainda tinha espaço livre. Com isto tudo estávamos a acumular atrasos em cima de atrasos.
    Na fronteira abrimos o livro “O Processo” de Kafka e só o fechámos 5 horas mais tarde: foram documentos, Embaixadas, telefonemas para Rabat, incentivos monetários e têxteis, muito suor, muita Rexona, e muito ... muito calor. Afinal já estávamos em África e após estas 5 horas para simplesmente passar a fronteira lá estávamos todos, mas todos a caminho.
    Seguimos viagem directo para Fez dado o atraso, sem efectuarmos as duas paragens previstas em Chefchaouen e Volubilis na tentativa de chegar ao Hotel Wassim ainda de dia. Chegámos cerca das 22h, e com a intervenção do Hatem , o nosso guia, ainda nos serviram o jantar. Obrigado Hatem, pois a fominha era muita.
11 Abril – Domingo – Fez – Errachidia – Erfoud – 440 Km
    Logo pela manhã conhecemos o nosso outro guia, Khalid, que nos iria acompanhar daqui até Marrakech, e que muitas saudades nos iria deixar.
    7h,30m, saída do Hotel em 2 MiniBus para visita à cidade, subimos então a um ponto alto (Monte dos Túmulos Merínidas), donde pudemos desfrutar de uma panorâmica geral da cidade e em particular da Medina. Estrutura labiríntica, com mais de 9.000 ruas construídas propositadamente desta forma aparentemente anárquica, como meio de defesa dos seus habitantes. Khalid que nasceu em Fez disse que até a sua própria mãe se perderia lá dentro.
    Seguiu-se visita a pé duma pequeníssima parte desta Medina sempre muito juntos e seguindo os chamamentos de Khalid que, carinhosamente, de quando em vez, gritava “Famiiliiaaa”. Neste pequeno percurso, Khalid deu-nos a conhecer a estrutura, funcionamento e organização da Medina. Assim, uma Medina é constituída por inúmeros bairros rodeados por muralhas defensivas. Cada bairro é definido por seis elementos comuns: Local de culto; Forno comum; Hammam (banho de vapor); Escola de Alcorão; Fonte de água; Mercearia. Estes bairros têm ruas tão estreitas que o único meio de transporte possível é o Burro (estou a falar de animais) que é o único animal funcionário público e chega a percorrer autonomamente as ruas com as suas diversas cargas que vão desde as peles tingidas até à recolha de lixos.
   O que mais nos impressiona ao entrar numa destas Medinas é a vibrante actividade dos seus artesãos e comerciantes, o inebriante turbilhão de barulhos, cheiros e cores num fluir de emoções rodeada por uma multidão humana densa e contínua.
    Não saímos da Medina sem termos gasto os nossos primeiros dirhams em negociações árduas de regateio continuo. Cansados, satisfeitos e carregados de sacos regressamos enfim aos nossos MiniBus que nos levaram de regresso ao Hotel só para arrumar tudo e seguir viagem rumo a Ifrane.
     Aqui começamos a atravessar o Médio Atlas, com alguma chuva à mistura, que atrasou um pouco o nosso andamento, mas ao limpar as impurezas da atmosfera tornou ainda mais deslumbrantes e cristalinas todas as paisagens que se tornavam cada vez mais verdejantes à medida que seguíamos para Sul.
   Já depois de nos termos espantado com a arquitectura tipicamente ‘Suíça’ das redondezas, o almoço (piquenique) foi num local poderoso, perto de Jbel Ebri, rodeados por uma floresta de Cedros e junto a um espantoso edifício da natureza, que demorou mais de 900 anos a construir. Foi baptizado com o nome de ‘Gouraud’ este magnifico Cedro, que ficará para sempre gravado nas nossas retinas e na fotografia ‘em família’ que lá fizemos com todos os jipes estrategicamente alinhados. Também não me vou esquecer das poses verdadeiramente ‘atléticas’ (de que o próprio Kappa ficaria espantado), dos nossos repórteres na tentativa de retratarem em película toda a pujança e emoção daquela cena.
    O caminho até Erfoud ainda era longo pelo que tivemos de acelerar o passo. O Zé, incansável, lá nos ia ultrapassando para poder tirar fotografias. Talvez por isso mesmo, o Discovery dele começou a denotar um ruído preocupante que se revelou ser, após diagnóstico dos vários especialistas em campo, um rolamento partido da roda traseira, no meio do nada algures entre Ifrane e Midelt . Decidimos então dividir o grupo em dois para que o grupo da frente, mais rápido e com o nosso guia, tentasse arranjar mecânico para reparar a avaria. O segundo grupo, acompanhou em marcha lenta os nossos bravos e intrépidos repórteres na sua máquina arrastadeira (sim, porque o que voava mesmo era o tempo).
    Em Midelt o jipe foi reparado e enquanto esperávamos todos os Marroquinos “repararam” em nós. Chegámos mesmo a fazer negócio, trocámos Tshirts por Fósseis e Minerais. Com mais este atraso era inevitável que a etapa mais longa da nossa viagem terminasse já noite dentro, nascendo aí a expressão “Marrocos By Night”.
Para ganhar tempo e depois de confirmada a possibilidade de reparação do jipe do Zé e dado que já era de noite, dividimo-nos em dois grupos. Um liderado pelo José Carlos (de todos nós o mais conhecedor de Marrocos) que com a sua Centralina iluminou o nosso percurso até Erfoud. Obrigado José Carlos. Obrigado Centralina. Neste trajecto e com grande pena nossa, perdemos uma das atracções do passeio que era a travessia do Atlas seguido da uma zona de oásis com todos os seus contrastes e encantos.
      O segundo grupo ficou a aguardar a reparação do jipe do Zé e veio todo o caminho a “queimar borracha”. Chegámos ao Hotel “El Ati” em Erfoud cerca das 23h, e novamente com muita sorte nossa e simpatia dos empregados do hotel, ainda pudemos jantar. Foi chegar e correr para a sala de jantar, o resto logo se via.
12 Abril – Segunda-feira – Erfoud – Merzouga – 50Km
     Ao contrário do que estava previsto, que era termos a manhã livre, por indicação do Khalid fomos visitar vários Kasbah na zona de Rissani. Tendo num deles visitado uma loja de tapeçarias onde nos serviram um delicioso chá de menta num ritual de hospitalidade berbere antes de fazermos negócio. Visitámos também a casa de um chefe de um Kasbah descendente do próprio rei.
    Almoçámos no hotel e partimos para Merzouga por pista, chegando ainda a tempo para algumas brincadeiras nas dunas de Erg Chebbi com os jipes.
   Antes do jantar fomos escolher as nossas tendas onde iríamos pernoitar como autênticos berberes (digo camelos, já que eu preferia ter ficado num bom hotel).
     O jantar no Albergue em pleno deserto foi um espectáculo cheio de ritmos fortes, cheiros picantes e sabores exóticos. Apesar do cansaço foi difícil resistir a tanto charme. A seguir, dormir vestidos para poucas horas depois, cerca das 4h,30m da manhã irmos ao encontro dos nossos camelos que nos iriam levar deserto adentro para assistirmos ao nascer do sol.
13 Abril – Terça-feira – Merzouga - Zagora – 250Km
    Tirando o camelo do Ricardo que protestava perigosamente (quem não se sentava naquele bicho era eu), tudo correu bem. Já tinha lido muitos relatos sobre o nascer do Sol no deserto, mas nada nos prepara para a realidade, o silêncio absoluto, o matiz de cores suaves em constante mutação, deixou-me arrepiado e de garganta apertada.
    Regressámos da mesma maneira (o camelo do Ricardo continuava sem se calar), para saborear um pequeno almoço composto de Beghrirs (parecido com panquecas) que se barram com manteiga ou com doces.
    Direito aos jipes e zarpar rumo a Zagora. Sempre em pista e com mais um Guia conhecedor da zona. A minha Defender estava como peixe na água. Apanhámos de tudo, desde areia, pistas de sal, pistas duríssimas de pedra passando pelo ondulado massacrante. E apesar da natureza agreste do terreno e da aparente impossibilidade de vida nestas paragens, quando abrandávamos apareciam como que por magia do meio do nada, crianças a correrem ao nosso encontro na esperança de receberem uma qualquer oferta. Olhando com muita atenção para o terreno umas vezes alaranjado outras negro de pó e pedra, conseguíamos vislumbrar na paisagem as suas casas perfeitamente camufladas aos olhares mais distraídos. De quando em vez, surgiam para nosso espanto, pequenas linhas de água logo rodeadas de pequenas parcelas bem delineadas, cultivadas e tratadas, aproveitando ao máximo o que a natureza lhes dava.
    Numa aldeia onde parámos para nos refrescar fomos invadidos por um grupo de crianças barulhentas e simpáticas. Ao repararem no curativo que a Fátima me estava a fazer no braço rodearam-na de imediato, todos com os braços estendidos mostrando pequenas mazelas. A Fátima, enfermeira experiente, improvisou de imediato um Hospital de campanha e tratou de tratar toda a criançada.
      Almoçámos numa venda/café de uma pequena aldeia que nos cedeu o espaço para comermos abrigados do pó e do Sol, ficando o seu proprietário satisfeito por apenas nos vender as bebidas, tendo no fim oferecido o já habitual chá de menta.
     O caminho até Zagorá ainda era longo e como habitual estávamos atrasados e a possibilidade de passarmos a noite no deserto não era reconfortante, daí termos dado o nosso máximo (cerca de 10-20 Km /h.).
Ao todo foram mais de 11 horas de pista, chegámos a Zagora ao cair da noite. E apesar das dificuldades ou talvez por isso mesmo, gostámos imenso. A ânsia de chegar ao hotel e tomar um bom duche era muita, pelo que nos apressámos no caminho nem reparando bem no imenso oásis que nos rodeava, o jantar foi no hotel.
      Ainda tivemos coragem para depois de jantar mudar o filtro de ar e arranjar um simpático Marroquino que nos lavasse o jipe, dado que estava perfeitamente impróprio para continuar, tanto pó..., tanto pó...
14 Abril – Quarta-feira – Zagora – Ait Benhaddou – Marrakech – 350 Km
     Após o pequeno-almoço e desta vez sempre por alcatrão, passando pelo imenso palmeiral que rodeia Zagora, no conhecido Val do Draa, seguimos em direcção a Quarzazate para visitar os Estúdios de cinema Atlas onde foram realizados filmes como Asterix e o Gladiador.
     Voltámos à estrada sinuosa em direcção ao Kasbah Ait Benhaddou, classificado pela UNESCO como Património Mundial, que visitámos a pé e sempre com as preciosas explicações do nosso guia Khalid. Almoçámos num restaurante à entrada do Kasbah, a melhor refeição que comemos em Marrocos, a omelete berbere, a tagine de carneiro, a tagine vegetariana, as saladas e as laranjas com canela e perfumadas com essência de flor de laranjeira estavam divinais.
    Continuámos caminho através do Alto Atlas passando pelo desfiladeiro Tizi-n-Tichka, o mais alto de Marrocos com 2260m de altitude. Sempre por estrada muito sinuosa mas com paisagens entre o agreste e o verdejante até chegarmos a Marrakech, continuámos a nossa senda de Marrocos By Night, chegando ao hotel Oudaya já de noite e com alguma chuva, tendo somente tempo de largar as malas e seguir para um jantar fantasia no Chez Ali.
    No regresso tentámos ainda visitar o bar do Hotel Mamunia, considerado um dos melhores hotéis do mundo, mas não nos deixaram entrar.
15 Abril – Quinta-feira –Marrakech – Casablanca – 240 Km
Por iniciativa do grupo alugámos 2 Mini Bus para visitar Marrakech. Fomos visitar o lago e o pavilhão no jardim imperial Menara. Fomos ao Mercado na Place Jemma el-Fna onde existe todo o tipo de especiarias, frutos secos, marroquinaria, encantadores de serpentes, restaurantes ao ar livre, imensos quiosques seguidos vendendo delicioso sumo de laranja. Visitámos também o Palácio Bahia com os suas salas e pátios luxuosamente decorados com mármores raros (de Meknès), azulejos zellij (de Tetouan), cedros do Médio Atlas. Ainda tivemos tempo de ver o exterior da Mesquita Koutoubia com o seu Minarete (construção mais alta da cidade). Visitámos ainda uma rua da Mesquita de Marrakech, onde numa super loja com características ocidentais comprámos algumas recordações. Almoçámos, calculem, num característico McDonnalds para ser mais rápido.
De regresso à estrada, de alcatrão, caminhámos na direcção de Casablanca onde chegámos ao inicio da noite. Ninguém (incluindo o nosso guia) sabia onde era o Hotel Salim. Casablanca é uma cidade muito movimentada (3.ª maior de Africa), e nem os característicos Petit-Taxi nos puderam ajudar e depois de muitos enganos e percalços lá chegámos novamente By Night.
Nesse dia, a Glória fazia anos e o José Carlos tinha preparada uma surpresa para ela, depois do jantar no tal Hotel Salim, flores, bolo de velas, presentes, tudo à maneira. Não estávamos a gostar do jantar, foi uma refeição sofrível e para rematar quase no final um parente do Mickey passeia calmamente pela sala de jantar, cumprimenta-nos e segue para a cozinha. É escusado comentar, ficámos todos enojados, não me parece que mais alguém tenha continuado a comer. Foi só ir para a cama com alguma fome e com algum cuidado.
16 Abril – Sexta-feira – Casablanca – Rabat – Asilah - 342 Km
    Saímos do Hotel após talvez sem tocar no pequeno-almoço para irmos visitar a Mesquita Hassam II, que infelizmente não nos deixaram visitar. Aproveitámos para fotografar e fotografar. O Zé deu espectáculo ao estender-se no meio da rotunda em frente à Mesquita para nos fotografar.
    Seguimos em direcção a Rabat, capital política, económica e administrativa de Marrocos, para visitar o Mausoléu de Mohammed V (considerado o pai da independência de Marrocos e encomendado pelo seu filho, Hassan II). Visitámos a Torre Hassan, antiquíssima com mais de oito séculos.
   De novo na auto-estrada em direcção a Asilah. Nesta auto-estrada vê-se de tudo: plantações no separador central; pessoas e animais a atravessar a mesma; vendedores ambulantes; carros e carroças estacionadas na faixa da esquerda, enfim tudo o que numa auto-estrada da Europa não se pode fazer.
     Surpresa das surpresas e quando já ninguém acreditava, chegamos a Asilah ainda de dia e a tempo de ver o pôr do sol na praia. Jantámos no hotel e descansámos para a jornada do dia seguinte que seria estafante.
17 Abril – Sábado – Asilah - Tânger – Casinha 1144 Km
     Deixámos o hotel depois do pequeno-almoço em direcção a Tânger, foi um pulinho.
    Em Tânger procurámos um posto de câmbios que nos trocasse todos os nossos dirhams que a partir daqui já não nos serviam para nada. Depois disto e com estrada sinuosa e com belas vistas sobre o mar chegámos a Ceuta. Formalidades de fronteira com os problemas habituais. Ah! Lembram-se do Ricardo que tinha perdido os documentos? Afinal conseguiu regressar, diga-se até que foi o primeiro a passar. Depois do Ferry chegar a Algeciras, foi hora de despedidas e promessas de mais viagens e cada um seguiu viagem rumo a sua casa.
Conclusão
Sei que na nossa passagem por Marrocos só vislumbrámos uma muito pequena parcela da casca do enorme fruto que é este pais. Sei que não conseguimos sequer começar a entender esta cultura, esta gente nem honestamente me parece que tivéssemos feito muito por isso. Todavia, conseguimos um espírito de grupo surpreendente, conseguimos superar melhor ou pior, todas as dificuldades que se nos apresentaram e no fim acabou tudo bem. Queria agradecer o esforço do Hatem, que resolveu tudo o que estava ao seu alcance e que no fundo foi muito mais do que um simples guia turístico. Ao Khalid, que nos deu a todos uma lição de profissionalismo e à AzimutteZero por nos ter dado uma certeza: Tal como Portugal não é só praias e restaurantes baratos, Marrocos é muito mais do que um sítio para levarmos uns jipes e andarmos por lá a dar umas voltas, é muito mais do que só pistas e deserto. É um país com muitos séculos de existência e uma cultura muito forte. Nós vamos lá voltar, e vocês?

Texto: Carlos
Fotos: Vários autores
 
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