11 Abril – Domingo – Fez – Errachidia – Erfoud – 440 Km
Logo pela manhã conhecemos o nosso outro guia, Khalid, que nos iria acompanhar daqui até Marrakech, e que muitas saudades nos iria deixar.
7h,30m, saída do Hotel em 2 MiniBus para visita à cidade, subimos então a um ponto alto (Monte dos Túmulos Merínidas), donde pudemos desfrutar de uma panorâmica geral da cidade e em particular da Medina. Estrutura labiríntica, com mais de 9.000 ruas construídas propositadamente desta forma aparentemente anárquica, como meio de defesa dos seus habitantes. Khalid que nasceu em Fez disse que até a sua própria mãe se perderia lá dentro.
Seguiu-se visita a pé duma pequeníssima parte desta Medina sempre muito juntos e seguindo os chamamentos de Khalid que, carinhosamente, de quando em vez, gritava “Famiiliiaaa”. Neste pequeno percurso, Khalid deu-nos a conhecer a estrutura, funcionamento e organização da Medina. Assim, uma Medina é constituída por inúmeros bairros rodeados por muralhas defensivas. Cada bairro é definido por seis elementos comuns: Local de culto; Forno comum; Hammam (banho de vapor); Escola de Alcorão; Fonte de água; Mercearia. Estes bairros têm ruas tão estreitas que o único meio de transporte possível é o Burro (estou a falar de animais) que é o único animal funcionário público e chega a percorrer autonomamente as ruas com as suas diversas cargas que vão desde as peles tingidas até à recolha de lixos.
O que mais nos impressiona ao entrar numa destas Medinas é a vibrante actividade dos seus artesãos e comerciantes, o inebriante turbilhão de barulhos, cheiros e cores num fluir de emoções rodeada por uma multidão humana densa e contínua.
Não saímos da Medina sem termos gasto os nossos primeiros dirhams em negociações árduas de regateio continuo. Cansados, satisfeitos e carregados de sacos regressamos enfim aos nossos MiniBus que nos levaram de regresso ao Hotel só para arrumar tudo e seguir viagem rumo a Ifrane.
Aqui começamos a atravessar o Médio Atlas, com alguma chuva à mistura, que atrasou um pouco o nosso andamento, mas ao limpar as impurezas da atmosfera tornou ainda mais deslumbrantes e cristalinas todas as paisagens que se tornavam cada vez mais verdejantes à medida que seguíamos para Sul.
Já depois de nos termos espantado com a arquitectura tipicamente ‘Suíça’ das redondezas, o almoço (piquenique) foi num local poderoso, perto de Jbel Ebri, rodeados por uma floresta de Cedros e junto a um espantoso edifício da natureza, que demorou mais de 900 anos a construir. Foi baptizado com o nome de ‘Gouraud’ este magnifico Cedro, que ficará para sempre gravado nas nossas retinas e na fotografia ‘em família’ que lá fizemos com todos os jipes estrategicamente alinhados. Também não me vou esquecer das poses verdadeiramente ‘atléticas’ (de que o próprio Kappa ficaria espantado), dos nossos repórteres na tentativa de retratarem em película toda a pujança e emoção daquela cena.
O caminho até Erfoud ainda era longo pelo que tivemos de acelerar o passo. O Zé, incansável, lá nos ia ultrapassando para poder tirar fotografias. Talvez por isso mesmo, o Discovery dele começou a denotar um ruído preocupante que se revelou ser, após diagnóstico dos vários especialistas em campo, um rolamento partido da roda traseira, no meio do nada algures entre Ifrane e Midelt . Decidimos então dividir o grupo em dois para que o grupo da frente, mais rápido e com o nosso guia, tentasse arranjar mecânico para reparar a avaria. O segundo grupo, acompanhou em marcha lenta os nossos bravos e intrépidos repórteres na sua máquina arrastadeira (sim, porque o que voava mesmo era o tempo).
Em Midelt o jipe foi reparado e enquanto esperávamos todos os Marroquinos “repararam” em nós. Chegámos mesmo a fazer negócio, trocámos Tshirts por Fósseis e Minerais. Com mais este atraso era inevitável que a etapa mais longa da nossa viagem terminasse já noite dentro, nascendo aí a expressão “Marrocos By Night”.
Para ganhar tempo e depois de confirmada a possibilidade de reparação do jipe do Zé e dado que já era de noite, dividimo-nos em dois grupos. Um liderado pelo José Carlos (de todos nós o mais conhecedor de Marrocos) que com a sua Centralina iluminou o nosso percurso até Erfoud. Obrigado José Carlos. Obrigado Centralina. Neste trajecto e com grande pena nossa, perdemos uma das atracções do passeio que era a travessia do Atlas seguido da uma zona de oásis com todos os seus contrastes e encantos.
O segundo grupo ficou a aguardar a reparação do jipe do Zé e veio todo o caminho a “queimar borracha”. Chegámos ao Hotel “El Ati” em Erfoud cerca das 23h, e novamente com muita sorte nossa e simpatia dos empregados do hotel, ainda pudemos jantar. Foi chegar e correr para a sala de jantar, o resto logo se via.