AzimuTTe: Arrozais e Salinas
17 de Março de 2007
Desde há séculos que a região do Baixo Mondego vive da exploração do arroz e do sal. Nas zonas alagadiças dos concelhos de Montemor-o-Velho e Figueira da Foz, a produção e exploração do arroz já foi um dos principais pilares do comércio desta zona e, actualmente, ainda continua a ter uma importância que muitas vezes nos passa despercebida. O sal, é ainda no estuário, mas já sob a influência do mar que o encontramos. Outrora grande motor da economia local, com o abandono de algumas salinas, decaiu a exploração, mas as que teimosamente resistem à proliferação dos viveiros de peixes, continuam a ser testemunhos vivos de épocas antigas. Fomos conhecê-los.
Começámos nos arrozais de Maiorca, acompanhando inicialmente o rio Foja, para depois, nas primeiras comportas, tomarmos a direcção de Montemor, onde trepámos até ao castelo. Deambulando pelas suas muralhas, apreciando a magnífica paisagem, retivemos a observação do participante holandês, olhando a vasta extensão dos arrozais para cada lado do castelo: “I thought that rice came only from China!”. São assim os Passeios da AzimuTTe Zero: sempre a abrir horizontes aos participantes.
Retomando o caminho, seguimos o Mondego Velho até ao Novo, tendo-nos embrenhado, depois, pelos arrozais da margem sul até apanharmos novamente o rio. Mais um pouco e chegámos ao moinho das marés. Único na Península Ibérica com doze mós, foi uma estreia para todos os participantes que puderam observar como operava, apesar de já não ter as mós. Esperemos que a recuperação do edifício continue para que o possamos desfrutar melhor. Depois do almoço, lugar à ponte romana, perdida no meio dos arrozais. Mantém intacto o seu arco e no tabuleiro apresenta um troço de calçada onde ainda se nota o desgaste provocado pelas rodas das carroças.
Bordejando o rio Pranto até ao Mondego, chegámos ao Ecomuseu do Sal. Deixámos os carros e embrenhámo-nos pelas salinas. No outro extremo esperava-nos um marnoto para nos explicar como é que o sal aparece, no final, no saco de plástico.
Um churrasco de febras e enchidos num típico armazém do sal foi o remate perfeito para este AzimuTTe.
Texto: Nuno Furet
Fotos: Vários autores