AzimuTTe: Batalha-Óbidos
23 de Novembro de 2002
Esta reportagem é constituída por dois textos, de dois autores, com alinhamento respectivo à direita e à esquerda.
Próximo da Cumeeira de Aljubarrota, 23 de Novembro de 2002, três horas antes do meio-dia... porque esta gente não se convence que os horários são para cumprir!!!
Contrariamente ao que sucedeu a D. Nuno Álvares Pereira, o nosso "exército" foi-se reunindo, lenta e razoavelmente apetrechado (desta vez não vieram os carros-frigorífico...), comandados por Dom Nuno Furet e Dom Rui Cardoso.
Antes da narrativa propriamente dita, gostava de começar pelo fim, pois à semelhança das "Capelas Imperfeitas", também esta história nunca estará completa, pois fui um dos muitos que não conseguiu cumprir a totalidade do RoadBook. Uma saudação especial para o Nuno Cartucho, de quem voltaremos a falar mais à frente...pois, após o primeiro passeio enquanto pendura, resolveu comprar um jipe para ter emoções mais fortes!
Já agora, e se me permitirem ser um bocadinho modesto, gostava de dizer que a primeira (grande...) ovação da manhã se deve mais à Vossa boa vontade do que à obra feita, pois, em boa verdade, penso que todos achamos que o projecto AzimuTTe Zero também é um bocadinho nosso e cada um dá o contributo que pode, sem tirar qualquer mérito àqueles que nele estão desde o primeiro minuto.
Bom, adiante... após duas visitas culturais, e a caminho da terceira, tivemos que enfrentar as primeiras dificuldades do dia. Nada que não se ultrapassasse, com maior ou menor dificuldade, com mais ou menos água, vegetação mais densa ou piso mais irregular.
Desta vez, o número do azar foi próximo do "treze"... tocou ao 14, quando a embraiagem começou a patinar e a perder óleo... mas, como isto de mecânica não é só para entendidos, com um palpite de um, uma achega de outro e um comentário para o ar, lá se ultrapassou o problema. Pois... já estavam a pensar que o Paulo tinha aproveitado para tirar uma soneca debaixo do carro!!! E tivemos que deixar um grupo muito restrito a tratar desta avaria, porque não podíamos chegar tarde ao casamento de mais um companheiro que estava a acontecer em Alcobaça e sabíamos que os orientais iriam ser pontuais...
Com os carros todos alinhadinhos, num parque exclusivamente nosso (ena o luxo!!!), partimos à descoberta do Mosteiro de Alcobaça.
Seguimos, em caravana, para o copo d'água, perdão, para o parque das merendas, onde constatámos, uma vez mais, da importância das padeiras, e não só da de Aljubarrota...
A tarde começou, e para muitos iria acabar, com umas passagens por caminhos de areia, com algumas subidas e descidas engraçadas, no meio de pinhais e dunas. A primeira dificuldade foi sentida por um Suzuki Vitara (um especial sejam bem vindos para esta dupla, que fez a sua primeira participação neste grupo), que teimava em não querer subir... e lá vai mais uma tentativa... dá-lhe gás, Jorge, porque os outros, ao fundo, já estão a ficar impacientes... dizem que à terceira é de vez...
Pois, mas uns metros mais à frente, numa nota P.V. (o que é que isto quererá significar?) foi o cabo dos trabalhos, para uma grande parte do grupo: o RoadBook tinha sido mal interpretado. Sim, porque aquilo não era gente de se perder e num instante se concentrou uma parte da caravana à procura de uma saída para aquela situação. E quando tudo afinal, parecia não correr mal, eis que o carro do Nuno Cartucho tombou para o areal!!! (P.V. quererá significar Próximo de Valeta?!?!)
E foi a primeira vez que este Vosso amigo teve oportunidade de comunicar via rádio para lançar um C.R.C. - Chamo Rui Cardoso - C.R.C. - Chamo Rui Cardoso. Inovação técnica que verifiquei num carro face ao anterior passeio, e que estou a pensar adaptar no meu, embora o problema de determinar exactamente em que nota é que nos perdemos subsista, pode ser uma grande ajuda!!!
Reza a história, (eu não vi, pois quando se tirou o Pajero daquela posição, já a noite caía), que o Pai Natal (ou seria o dono dum terreno?) ficou zangado com alguns dos condutores, pois parece que entretanto noutro ponto do passeio, andaram a estragar os pinheiros que seriam utilizados daqui a uns anos nas decorações natalícias da geração vindoura.
Lá seguimos em caravana, comandados pelo GPS do Rui, até nos reunirmos com os outros todos, para sabermos daquela e doutras histórias, parece que muitos foram puxados na zona dos Pinheiros, e para fazermos mais um bocadinho do RoadBook, em versão nocturna, que transforma a condução em algo ainda mais especial e atractivo.
Não pensem que se ficou por aqui o passeio. Depois de algum desnorte, ao que parece devido a uma nota falsa, e que originou, por diversas vezes, variadíssimos encontros de todos com todos, lá conseguimos chegar a Óbidos. No entretanto, o Monterrey recusou-se a andar, mas, com a ajuda do Paulo Reis e do seu UMM, lá conseguiu chegar ao destino; o Jeep Sport também ficou numa situação delicada - e lá tivemos mais um C.R.C. - que ajudou a resolver mais esta situação.
E o jantar na Josefa de Óbidos deitou para mais tarde. Serviu, uma vez mais, para uma amena e interessante cavaqueira; foi pretexto para um trocar ideias e opiniões sobre o sucedido; enfim, serviu para aquilo que realmente importa: estarmos juntos à volta de um hobby que nos une e nos aproxima.
Como o próximo evento - queremo-lo no Norte, carago! - só terá lugar depois do Natal, aproveito para desejar a todos quantos participaram neste e no outro passeio, supostamente aqueles que esperam pela publicação da reportagem do que fazemos, um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de coisas boas... e de passeios TT!!
Escusado será dizer que Vos espero ver lá...
Um abraço amigo
Manuel (e Sandra) Araújo
Azimutte traçado, com 30 "cavalos de ferro", adiante designados por TT´s, desde os jurássicos até aos mais evoluídos, foram chegando ao local e hora marcado, com atraso dos velhinhos, pois para estes a 5.ª velocidade e os turbos são ficção.
Mais atrasado está o mosteiro de Sta Maria da Vitória, conhecido por mosteiro da Batalha, cuja construção levou dois séculos e ainda está incompleto. Visita obrigatória, depois de ouvirmos as sábias orientações da Organização para a "pacifica invasão" dos TT´s sobre a natureza.
Orientados por "RoadBook" adiante designado por ementa, até ao Museu Militar de S. Jorge e campo da Batalha de Aljubarrota, surge a Nota-10 "Para Terra" cujo "Trilho" adivinhava tratar-se de aperitivo para um prato forte. Sem dúvida, que maravilha, aí estavam eles apetitosos, fresquinhos, com pedritas, umas inclinações e, para os mais gulosos, uma lamita a mais não se tinha perdido nada. Das bancadas, a boa vontade de um popular "...eles foram todos por aqui (alcatrão para terra), mas por ali têm uma estrada tão boa...!!", foi elucidativo para chegar a Alcobaça mesmo com avaria de uma embraiagem.
Momento de boa disposição, com recém casados que saíam da Real Abadia de Sta Maria de Alcobaça, em cuja foto de família incluíu a presença audaz de três "Cavaleiros" do nosso TT, fazendo-se conduzir num TT, foram saudados por todos nós com um vigoroso buzinão que se transformou numa cena hilariante.
É verdade foi na futura "casa" da GNR, na terra de pescadores que as máquinas aproveitaram para descansar e nós para "pic-nicar" o almoço, pois as areias da Nazaré esperavam-nos.
Se a ementa da manhã foi boa, a da tarde, com um "Cavaleiro do Vitara" a dizer "... isto é areia a mais, encontramo-nos no Sítio...", foi um espectáculo com os naturais atascados. Um qualquer "pedregulho" incontornável impediu-nos de continuar as hostilidades até S. Martinho do Porto por terra, onde reunimos para decidir atacar a ementa verdadeira. Meus amigos vamos por terra "...é um recurso não é uma solução...", é a voz de um "Cavaleiro". Assim atacamos uma nocturna por terra, com a "armadilha" do buraco da ponte e da Nota-160, que até a Organização atascou.É verdade e alguns de nós com ajuda do "GPS", ou como dizem alguns especialistas o "Guia Por Satélite", reencontramos a Nota-163 e mais uma subidita de 79 metros com as amigas redutoras e chegamos ao Castelo.
Na hora de atacar a verdadeira ementa:
"...Cavaleiro para o mestre culinário..." Amigo, dê-me mais cogumelos;
"...resposta do mestre culinário...", desculpe mas isto não são cogumelos, são castanhas.
Amigos do TT, sinceramente espero que a Vossa versão da "Invasão" Batalha-Óbidos seja ainda mais romântica, que partilhem também os votos de um obrigado muito especial para esta Organização e P.F. não parem.
Texto: Armando Alves
Fotos: Vários autores