Belver - AzimuTTe Zero

Ir para o conteúdo

Menu principal:

Belver

Todo-o-Terreno
AzimuTTe: Belver

24 de Fevereiro de 2018


       Este AzimuTTe era suposto ser sob o signo do Belo Ver. Porém, mão e mente humanas, por motivos que não cabem aqui, encarregaram-se de tornar a terra queimada omnipresente. Não só grande parte do percurso do Passeio, como o próprio caminho para Mação, local de início, independentemente do ponto de partida de cada um de nós, nos deixou a alma negra como a desoladora paisagem que tivemos que atravessar e nos oprimia, por demasiados quilómetros, mais do que o bom senso deveria ter permitido que tal cenário acontecesse, ou, pior, se repita, ano após ano.

      Reunimo-nos, portanto, em Mação, para visitar o seu interessante Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo. É verdade que classificar de ‘interessante’ um Museu pode passar por redundância, mas a ideia de apresentar o específico acervo com ligação ao ‘Gesto’ foi muito feliz. Também a visita guiada por um arqueólogo transmitiu-nos, mais do que a informação, a paixão, enriquecendo a experiência da visita.

     Hora de partirmos, por terra queimada, então, para a Anta do Penedo Gordo, como complemento in loco do que aprendemos no Museu.

     A caminho de Belver, interrogamo-nos o que terão sentido os simpáticos habitantes da pequena aldeia que atravessámos, e que nos informam que o caminho que levamos não tem saída (tem, real e figurativamente), quando as chamas lhes rodearam as casas e a vida. Não é pelas notícias na televisão ou jornais que nos aproximamos (se é que alguma vez o conseguiremos) do que esta gente sentiu, mas, passando lá, mesmo meses depois, deixa-nos a reflectir.

     Em Belver, decidimos deixar a visita ao castelo para depois do almoço, porque se aproximava a hora do comboio.
      É verdade que não tem a fama da Linha do Douro, nem as vinhas e tão pouco os turistas, mas a Linha da Beira Baixa, acompanhando o Tejo desde Vila Nova da Barquinha até às Portas do Ródão tem outros encantos, mais selvagens, por paisagem não tão vergada à mão humana. Andámos, apenas, cerca de 12km, até à estação de Barca d’Amiera – Envendos, o suficiente como aperitivo para a viagem completa, num qualquer dia.

      De regresso a Belver e, por fim, o Castelo.
     É impressionante e curioso como a expressão ‘Belver’ se aplica de forma intensa neste castelo. A presença do rio terá muito que ver com isso, certamente. Mas é um caso em que subimos ao cimo da torre e fotografamos a paisagem; descemos às muralhas e fotografamos a mesma paisagem, como se a víssemos pela primeira vez; saímos a grande porta e, antes de iniciarmos a descida de volta à vila, damos por nós a fotografar novamente a mesmíssima paisagem, tal é o efeito que em nós provoca.

      Cruzado o Tejo, tomamos caminhos para Amieira do Tejo, onde mantêm o castelo aberto para além da hora, à nossa espera. Não terá as mesmas vistas do de Belver, mas os dourados rasantes de um magnífico sol poente acentuam os ocres das pedras, criam contrastes de luz nos montes circundantes e estendem a sombra das muralhas sobre a vila como que aconchegando-a para a noite que se avizinha, foi também um momento único.

     Já por estrada e em fila, chegámos a Tolosa para visita guiada a uma queijaria do justamente afamado queijo de Nisa. Obviamente, impôs-se uma prova de queijos.

    Finalmente, Nisa, que nem por ter já anoitecido, perdeu qualquer do seu encanto. Uma pequena caminhada pelo centro histórico para ajudar a digerir a generosa prova de queijos, procurar residências medievais de cristãos-novos e absorver o carácter desta vila alentejana pôs fim* a este AzimuTTe à descoberta de mais um recanto deste nosso maravilhoso país.
*Afinal, não. Foi o jantar, de vários pratos típicos do Alentejo, servido com a mesma generosidade com que estas gentes recebem os forasteiros, que verdadeiramente selou o dia.

Os nossos agradecimentos aos colaboradores do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo; Castelo de Belver; Castelo de Amieira do Tejo; Queijaria Fortunato; Turismo de Nisa; Restaurante Flor do Alentejo; e a todos os participantes que, pelo seu interesse, tornaram possível este AzimuTTe.

Texto e fotos: Nuno Furet

 
Copyright 2015. All rights reserved.
Voltar para o conteúdo | Voltar para o Menu principal