AzimuTTe: Bletchley Park*
29 de Junho de 2013
Há alguém que não saiba ler um road-book? Esta é a sacro-santa pergunta em todos os briefings (perdoem-me os anglicismos) em cada AzimuTTe. É respondida com o sacrossanto silêncio ou, quando muito, com um nada convicto e balbuciado ‘não’, que as primeiras notas se encarregarão de contradizer.
Os enigmas deste AzimuTTe: Bletchley Park, que permitiam aos participantes irem avançando no percurso, cumpriam, basicamente, duas funções com um único objectivo, esse sim, comum aos restantes AzimuTTes: diversão… e bom convívio, melhor dizendo: dois únicos objectivos: diversão, bom convívio… e visita a mais um canto deste nosso Portugal, ainda melhor dizendo: três únicos objectivos… (este texto começa a parecer o sketch da Spanish Inquisition, dos Monty Python). Essas duas funções eram, primeiro, a de aprender a ler road-books, seguidos, de cor e salteado e detrás para a frente, literalmente. Uma vez que não se podiam seguir uns aos outros, porque cada um decifrava o enigma à velocidade permitida pelos seus poderes dedutivos ou concentração, não tiveram outra alternativa que não aprender a ler as notas ‘de una cochina vez’, como dizem os espanhóis. A outra função era a de exercitar a massa cinzenta que, à semelhança dos músculos que deixamos de usar quando nos deixamos transportar, rampa acima, nos centros comerciais, precisam de um ocasional estímulo para se manterem alerta. Ambas as funções foram cumpridas como um atleta se prepara para uma prova desportiva: começando lentamente, com o aquecimento e aumentando depois o ritmo, à medida que os músculos vão reagindo melhor, no caso dos participantes, além dos músculos, pelo muito que caminharam, também os neurónios.
Vagueando, ora a pé, ora na viatura, pelos cantos, recantos e encantos da Serra da Boa Viagem, foi proporcionada aos aspirantes a Sherlockes uma manhã extremamente oxigenada, com excepção feita ao forno siderúrgico em que estava transformada a cúpula do Farol do Cabo Mondego, plena de vistas a perder de vista.
De volta à Casa Abrigo do Sporting Clube Figueirense, onde tínhamos começado, foi tempo de preparar o churrasco/sardinhada, porque nós tentamos agradar a gregos e troianos, e desfrutar de um magnífico repasto, prolongado pela tarde fora pelo prazer que dá pelo nome de conversa (como dizia o grande Tê).
Para registo de gerações futuras, este AzimuTTe foi ganho, porque de um jogo se tratava, por Amílcar & Filho, que assim participarão gratuitamente no próximo evento. Mas se quisermos ser verdadeiramente honestos, todos ganharam: um dia bem passado, a satisfação de terem vencido dificuldades, físicas e dedutivas e a convicção de que deram o seu melhor. A todos, o nosso bem-haja por terem tentado e conseguido.
Os nossos mais sinceros agradecimentos à Capitania do Porto da Figueira da Foz, na pessoa do Senhor Capitão-de-Fragata Rui Amado, e guarnição do Farol do Cabo Mondego pela amabilidade e disponibilidade de que fomos alvo.
*Centro de Criptografia, em Inglaterra, durante a 2.ª Guerra Mundial, onde se descodificavam as mensagens alemãs.
Texto: Nuno Furet
Fotos: Vários autores