Caramulo - AzimuTTe Zero

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Caramulo

Todo-o-Terreno
AzimuTTe: Caramulo

19 de Janeiro de 2008

     Durante décadas, o clima frio e seco granjeou fama à Serra do Caramulo no tratamento da tuberculose. Com os avanços da medicina foi perdendo importância e procura, restando a paisagem para refazer a alma. Mais uns anos e decidiram construir a barragem da Aguieira e o clima passou para frio e húmido. Assim, muitas das vezes, toda a região se encontra mergulhada num denso nevoeiro que nos esconde a distância e nos encharca os ossos. Foi assim no dia dos reconhecimentos e receávamos que o mesmo acontecesse no dia do evento. Tivemos sorte.

     Nessa fria manhã de Janeiro, o sol brilhou num céu limpo, proporcionando-nos um dia magnífico para a prática do nosso todo-o-terreno cultural. A velha igreja de Guardão serviu-nos de ponto de encontro e presenteou-nos, ali mesmo com uma calçada romana que nos conduziu pelo caminho das cruzes até à Vila do Caramulo e ao seu Museu.

     Interessante a história deste Museu particular que, tendo começado por ser sanatório, foi convertido em museu após o fim daquele. A característica curiosa reside no facto de a maior parte do seu espólio ter sido doado pelas mais variadas pessoas, desde os famosos Picasso e Dali, ao anónimo visitante que não resistiu a oferecer algo do seu património e, assim, ficar também ele ligado a esta obra iniciada por Abel de Lacerda. Do outro lado da rua fica o mais conhecido Museu Automóvel do Caramulo que exibe a colecção de João Lacerda, igualmente recheada de raridades, como o Mercedes que Salazar recusou.

     Ia já avançada a manhã, quando nos fizemos de novo aos caminhos, na direcção do Caramulinho, o ponto mais alto da Serra. Estacionadas as viaturas, houve que encetar a subida a pé até ao topo. Todo o esforço, maior para uns, menor para outros, valeu a pena. Vistas absolutamente fabulosas para qualquer lado que nos virássemos e se uma imagem vale mais que mil palavras, ficam aqui várias que valem largos milhares de vocábulos.

    Após o almoço, ali mesmo no sopé do Caramulinho, iniciámos a descida da Serra passando por várias aldeias serranas e curiosidades naturais como a pedra em equilíbrio. Furando alguma vegetação e por caminhos mais descarnados, chegámos ao Centro do Linho, em Múceres, onde nos foi explicado tudo sobre esta planta. Vimos as sementes, o linho plantado, colhido, tratado, fiado e tecido.

   Chegados ao fundo do vale e já com alguma lama à mistura, fomos ver com se faz o famoso barro negro de Molelos. Vimos, aprendemos e experimentámos, mas não vamos contar como é. Vão até lá e descubram, pois a disponibilidade e simpatia dos oleiros e das fiadeiras são inexcedíveis. Para eles, os nossos mais sinceros agradecimentos.

Texto: Nuno Furet
Fotos: Vários autores
 
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