Cinco Efes - AzimuTTe Zero

Ir para o conteúdo

Menu principal:

Cinco Efes

Todo-o-Terreno
AzimuTTe: Cinco Efes

9/10 de Outubro de 2021



   Passaram-se séculos desde que Camões escreveu estas lapidares linhas e, no entanto, ainda continuam a descrever muita gente deste povo português. Felizmente, as mentalidades vão trilhando o seu caminho no sentido de descobrir e valorizar o muito dos nossos e se é verdade que fatia grande dessas mentalidades se fica pelos destinos da moda (veja-se o caso dos passadiços), merecedores, sem dúvida, da atenção que se lhes dedica, não deixando de ser um começo, outros, como nós, levando muito à letra o ‘muito’ a que se referia Camões, se entretêm a descobrir e valorizar o nosso Património e História nos cantos mais recônditos deste nosso Portugal.
     
   Concedo que a Sé da Guarda e os castelos de Celorico da Beira, Linhares da Beira e Belmonte, visitados neste AzimuTTe, não se enquadram, propriamente, em cantos recônditos, mas seríamos turistas normais se tivéssemos ficado por aí. Peneiremos a região e encontramos, no mais recôndito dos cantos recônditos, o tal Património que faz a nossa História.
    
   Olhando, então, para o fundo da nossa peneira e lá estão o quártzico castelo de Folgosinho e os deliciosos provérbios populares que engalanam as paredes da aldeia como se de vasos de flores se tratassem; e lá está a mal-amada vertente Noroeste da Serra da Estrela, com os seus troços de calçadas romanas e medievais  singrando--nos aos topos de vistas largas; e lá estão o Fórum e as ruas medievais que conduzem ao navio encalhado que aparenta ser o castelo de Linhares da Beira; e lá está a prova de queijos e enchidos da Serra que culmina a visita ao Solar do Queijo e retempera as forças para a subida ao castelo, em Celorico da Beira; e lá está a calçada romana que desce dessa vila; e lá está a Necrópole de S. Gens; e lá está a Forca de Forno Telheiro; e lá está a Fonte de Baco, em Ratoeira; e lá está o túmulo da princesa visigótica Suintiliuba, na Igreja de Açores; e lá está a Sé da Guarda, com o raro eixo helicoidal nas escadas que sobem para a cobertura, e que quase ofusca os símbolos mágico-religiosos nas ombreiras das portas no antigo bairro judaico; e lá está a surpresa, por desconhecimento, confesso, mas, diz-se, a Fortuna favorece os audazes, daí ele nos ter saído a terreiro, que é o Miradouro Hidrográfico do Vale da Estrela; e lá está a tão bela quanto enigmática Centum Cellas; e lá está a disponibilidade da funcionária no castelo de Belmonte, que sacrificou parte da hora do seu almoço para que pudéssemos visitá-lo.
      
     Sem dúvida, muito do nosso, muito por nós estimado e que de muito orgulho nos enche!

Texto: Nuno Furet
Fotos: Vários autores
 
Copyright 2015. All rights reserved.
Voltar para o conteúdo | Voltar para o Menu principal