Do Comboio ao Navio - AzimuTTe Zero

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Do Comboio ao Navio

Todo-o-Terreno
AzimuTTe: Do Comboio ao Navio

15 de Fevereiro de 2020

  Tenho andado a cogitar no que escrever sobre este AzimuTTe, tão variadas as sensações que recolhi ao longo desse dia. Há uma, porém, que se vai impondo às outras e que eu tento rejeitar, no fundo, sem fundamento. Assim sendo, porque não?
  Essa incontornável sensação, reconheço agora, instalou-se logo na concentração dos participantes: para além da gente simpática que veio experimentar, pela primeira vez, este conceito de todo-o-terreno cultural, outros houve que regressaram dois e até oito anos volvidos e nem a presença fiel dos restantes me distraiu do choque de ver os filhos daqueles tão crescidos.
  Depois, foram as carruagens do Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga, que me levaram aos bancos de madeira e abertura das janelas com a correia de couro de uma viagem que fiz na Linha do Douro, corriam os anos 1970.
  Na Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga, discorremos sobre como aquelas construções teriam ficado sob tanta terra, no cimo de um cabeço ralo. Só o passar de séculos de tempo poderia ter acumulado tantas poeiras.
  A tal sensação, se não se acentuou, também não se atenuou com a bucólica paisagem que se estende por entre tantos rios, por baixo de tantas pontes, que já conheceram maior azáfama, ao redor da Pateira de Fermentelos.
  Ao almoço, olhando, de fora, o grupo que, animada e alegremente, convivia e trocava vitualhas, não pude deixar de reflectir na minha quota-parte de responsabilidade naquelas amizades que se criaram e vão mantendo, ao longo de todos estes anos, reavivadas, no mínimo, a cada AzimuTTe.
  O navio bacalhoeiro Santo André, agora museu, foi-me buscar, aos recônditos da memória, um aluno, João de seu nome, que tive na Figueira da Foz, algures lá pela década de 1980, e que abandonou o ano lectivo para partir num bacalhoeiro, rumo à Terra Nova, quando estes ainda faziam daquela cidade porto de partida.
  Todo o fausto da Capela da Vista Alegre se resume à mensagem subjacente no túmulo do bispo que a fez erigir: a morte chega a todos, no que há de mais democrático.
  No Museu da Vista Alegre, o mural, com os logos da marca, marca épocas e, no fundo, vidas.
  Ao findar o dia, pela primeira vez desde 2001 e 38 AzimuTTes volvidos, jantou-se peixe.

 A tal omnipresente sensação, apesar de todas estas saudosas recordações e constatações da passagem do tempo ou, precisamente por causa delas, ainda me envolve, contudo, sem qualquer mágoa ou ressentimento da minha parte: estou a caminhar para velho!

Texto e fotografias: Nuno Furet
 
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