AzimuTTe: Douro Internacional
10 de Setembro de 2005
No dia 10 de Setembro de dois mil e cinco, pela madrugada, começaram a afluir à bela povoação de Freixo de Espada à Cinta várias viaturas TT. Para espanto dos habitantes, eram mais do que muitos e todos cheios de vontade de “jipar”. O passeio iniciou-se por entre serras e vales, água e “pouca” lama, monumentos e conversa. As vinhas em socalcos, fruto de suor e muita paciência dos povoadores, inundam a paisagem verde recortada pelo rio que, contrariando a maior parte do país, ainda possui um belo leito.
Falaram-nos de cavalos (Mazouco), pré históricos, mas na realidade o que se viu em larga escala foram burros. Não, não estou a tratar mal ninguém. Falo mesmo da bela espécie quadrúpede que, apesar de em extinção, ainda se vêem muitos por estes lados. Houve mesmo um que não se fez rogado perante as máquinas fotográficas, conseguindo um “book” com as suas poses de “manequim”.
Por entre pedras e pó, lá foi o TT andando até à hora do almoço. Com Espanha no horizonte, os belos manjares foram devorados com a lentidão de um “flash “. O caminho esperava-nos e não havia tempo a perder, a não ser para um cafezinho que fica sempre bem depois de tão bela refeição (até porque quem o tinha levado de casa não o bebeu por falta de açúcar).vMais uma jornada de TT. Sobe, desce, paragem para fotografias… com as vinhas a perder de vista. E a prova do belo vinho? Ninguém o viu!. Claro, somos responsáveis e ainda havíamos de ir dar uma volta no rio. (hihahaha)
Após a rápida visita à Igreja românica de Algosinho, começa tudo a zarpar para Bemposta. O barco espera-nos e não há tempo a perder. Fazem-se dois grupos e os primeiros (sortudos) entram no barco para desfrutar de uma paisagem linda e reconfortante. Escarpas enormes onde habitam cegonhas negras, milhafres e até líquenes (fruto de ar limpo) que quase ninguém tinha ouvido falar, compõem o horizonte. Entrou-se num mundo bem diferente do dia a dia até à chegada ao cais. Onde estavam os TT que nos haviam de levar novamente até à barragem? Onde estavam os outros? Ninguém para nos levar por terra e a viagem de barco já se tornava muito fresca com os salpicos “do barco” (grande partida para o segundo grupo). Eis que chegam os nossos companheiros para nos revezarmos. Entramos nas viaturas e é tempo agora para um petisquinho em Sendim. Bem merecido lanche após um passeio no Douro.
O regresso à barragem é feito sem contratempos e o grupo é refeito para mais uma jornada. Desta vez o destino é Mogadouro. Adivinhem, depois de uma tarde bem passada, qual era o pensamento de todos? Não era nada o banho. Esse era o pensamento só de alguns que resolveram pernoitar por ali. Falo do jantar. Todos estavam com um grande apetite, mas ainda houve tempo de ver o dono da pensão a cortar as famosas postas de carne mirandesa bem junto a nós, no restaurante. Enquanto todos contavam as suas aventuras de enganos e desenganos durante o passeio, o aroma a carne grelhada fazia crescer água na boca de todos os presentes, que aproveitavam para ir deitando o olho para a TV e ver o seu clube de eleição a jogar futebol (não houve discórdia, pois houve jogo de “todos” os clubes).
A conversa e a degustação prolongaram-se e a hora da partida para outras bandas chegou e, apesar do cansaço de um dia cheio de coisas para contar, a vontade de experimentar novas aventuras ficou.
Texto: Maria João, Orlando Reis e Paulo Ferreira
Fotos: Vários autores