Ibn Marwan - AzimuTTe Zero

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Ibn Marwan

Todo-o-Terreno
AzimuTTe: Ibn Marwan

23/24 de Abril de 2022

   Este AzimuTTe, realizado que foi na vizinhança de uma data histórica como é a do 25 de Abril, quiçá nos exacerbou um sentimento de orgulho nacional, quiçá não, pois terão havido mesmo motivos para nos sentirmos orgulhosos da nossa Portugalidade, sem necessidade de sugestionamento de datas. Senão, vejamos:

    Sábado, 23 de Abril, 9h30, Museu Tapeçaria de Portalegre Guy Fino. Visita guiada absolutamente indispensável para compreender todo o alcance técnico, estético e patrimonial desta Arte, bem mais do que apenas manufactura. Tomar consciência da história, evolução e estratégias empregues para fazer vingar internacionalmente uma tão inovadora forma de tecer belas tapeçarias; deleitar-se com os inúmeros exemplares expostos; assombrar-se com a perícia e minúcia posta em cada peça, só nos pode encher de orgulho.

   12h30, Alegrete. Caminhamos pelas medievas ruas que sobem ao castelo e quão arranjadas, quão cuidadas, quão belas se nos apresentam as vetustas casas que nos escoltam e guiam até à porta rasgada na muralha. Ultrapassada esta, deambulamos pela Praça de Armas e adarves. A bandeira nacional, drapejando ao vento forte, no cimo de um mastro inclinado para o vazio, incita-nos a perdermos o olhar nos largos panoramas que se estendem aos nossos pés. Reconheço que, felizmente, começa a ser norma o alindamento dos centros históricos das nossas vilas e aldeias, pelo que Alegrete já não é excepção, e que a bandeira nacional encima todos os castelos, mas é em Alegrete que nos encontramos e é em Alegrete que nos invade novamente o sentimento de orgulho.

    15h, Marco geodésico no alto da Serra de São Mamede. Que magnífica vista!!!

    17h30, Menir das Meadas. Do alto dos seus sete metros, remete-nos para ancestrais tempos e, ao fundo, lá no alto, o Marvão vigia.

    Domingo, 24 de Abril, 9h30, Casa da Cidadania Salgueiro Maia, no castelo de Castelo de Vide. Confesso que, em 1974, eu tinha 11 anos e vivia alheado da situação política. A única recordação que guardei de Salgueiro Maia foi a veiculada pelas icónicas fotografias dele no Quartel do Carmo. Sabia que morreu cedo e mais nada. Do facto, e à sua memória, me penitencio. Compreendo, agora, volvidos 48 anos (coincidência de anos?) e após esta visita, o quanto devemos a esse homem e como tudo poderia ter corrido de modo tão diferente, acaso tivesse sido outro. O ostracismo a que foi votado, por se manter fiel aos seus princípios morais, está, infelizmente e de resto, em linha com o de sempre. Quem não se sentirá orgulhoso por este herói?

    10H30, Bairro da Judiaria, Castelo de Vide. Descendo a inclinada e florida rua que leva até à Fonte da Vila, temos uma amostra do que se replica por toda a vila medieval, parecendo que caminhamos ininterruptamente por entre canteiros de flores sobre um relvado de pedra, acabando por desembocar no lindo jardim que ainda conserva alguns traços românticos. Que prazer passear assim!

      11h30, Ammaia. As ruínas desta cidade romana, espraiada aos pés do penhasco de Marvão, vão-nos enchendo de assombro desde que transpomos o portão da entrada. Ele é a maquete que nos elucida sobre a dimensão da cidade; ele é o acervo do Museu; ele é a recuperação da casa de quinta que o alberga; ele é o que está posto a descoberto; ele é a área que a cidade ocupava e que, miraculosamente, escapou a urbanismos posteriores; ele é, em função disso, a possibilidade de ficar a descoberto na sua quase totalidade (remete para Conímbriga), embora já não venha a ser no meu tempo de vida, mas outros desfrutarão; ele é o entusiasmo com que os funcionários nos contagiam enquanto deambulamos por este magnífico sítio. Um assombro orgulhoso!

     15h, Marvão. O Ibn Marwan que dá o nome a este AzimuTTe. Que dizer desta vila alcandorada acima do voo das águias? Que não importa quantas vezes já a visitámos. Que sempre nos impressiona olhá-la cá de baixo. Que sempre nos surpreende a arquitectura do seu castelo. Que sempre nos deslumbram as paisagens que dele se avistam. Que sempre nos fazem recuar no tempo as suas estreitas ruas medievais. Que sempre nos fica regravada na memória quando seguimos viagem.

     Estes foram os motivos que alojaram em nós o sentimento de orgulho, testado, porém, por duas situações que sempre nos recordam que, afinal, continua a haver um outro Portugal:

    Sábado, 15h15, Mosteiro de São Mamede, Serra de São Mamede. O que mais choca talvez não seja tanto, por corrente, infelizmente, o grau de abandono a que se encontra votado este Mosteiro, quanto o ler a descrição dele no sítio da internet da Direcção-Geral do Património Cultural, que data de 2002, completamente desalinhada com o actual estado de degradação. Faz 20 anos que não visitam o monumento.

    17h, Parque Megalítico dos Coureleiros, Castelo de Vide. Será realmente indispensável que uma das antas esteja completamente coberta de silvas?

    Um último sentimento, desta vez, de profundo respeito a encerrar o AzimuTTe e este texto:

    Domingo, 18h20, Alcántara, Espanha. A bela ponte romana de Alcántara!

Texto e fotos: Nuno Furet

 
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