Terras de Azurara - AzimuTTe Zero

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Terras de Azurara

Todo-o-Terreno
AzimuTTe: Terras de Azurara

23 de Fevereiro de 2019

    Um sábado antes deste AzimuTTe, durante os reconhecimentos, aparecemos, sem qualquer contacto prévio, em casa do pintor e ceramista Sérgio Amaral, à beira de Mangualde. Apresentamo-nos e perguntamos se podemos visitar o seu ateliê durante o decorrer do Passeio. Ele concorda prontamente, acrescentando que terá lá um grupo a trabalhar com ele, pelo que será óptimo para nós. Perguntamos-lhe, ainda, se há algum parque de merendas na aldeia, onde possamos almoçar. ‘Quantos são?’ – inquire ele. ‘Uns 20.’ ‘Podem comer aqui’ – diz, apontando para uma mesa sob um telheiro. ‘Mas não seremos demasiados, com o seu grupo?’ – preocupamo-nos nós. ‘Tenho restaurante marcado para nós, pelo que não estaremos aqui. Ficam à vontade.’ ’E se ainda não tiverem voltado quando acabarmos?’ – preocupamo-nos nós, ainda mais, pois o nosso programa era extenso e condicionado em termos de horário. ‘Fecham a porta quando saírem e vão à vossa vida’ foi a sua desconcertante e inesperada resposta. ‘Não sabemos que dizer perante tal amabilidade’ – balbuciamos. Com um sorriso franco, elucida-nos ele: ‘É a hospitalidade beirã!’

   Numa sociedade cada vez mais de cabeças tombadas sobre o visor do telemóvel e conversas virtuais, esta atitude do Sérgio, de algum modo, remete-nos para uns tempos e práticas que julgávamos esquecidos e abandonadas. Porém, esta postura foi secundada por outros intervenientes ao longo do dia do evento e nas semanas que a ele conduziram. Existirá, mesmo, enraizada no espírito dos locais, que a tomam como natural, esta coisa de ‘Hospitalidade Beirã’? Nós, felizardos que a sentimos e dela desfrutámos, cremos que sim. Na verdade, mais do que cremos, sabemos que sim.

  Falamos do Palácio dos Condes de Anadia, que nos abre as suas portas, quando estas se encontram encerradas por restauro, e somos recebidos por uma guia que vive, nos transmite e contagia a paixão que sente por aquelas paredes e pelo que representam.

   Falamos da Adega Cooperativa de Mangualde, que nos abre as suas portas, habitualmente encerradas ao sábado à tarde, para nos apresentar e dar a provar o ‘Dão’.

   Falamos da Queijaria Vale da Estrela, da qual uma das responsáveis interrompe a sua labuta nas cubas onde se forma um certificado Queijo da Serra, para nos falar sobre ele e no-lo dar a saborear, entremeado de requeijão, mel e vários doces de fabrico próprio.

    Falamos do Restaurante ‘O Valério’, que abre expressamente para nos receber com um magnífico Cozido Beirão à Moda de Mangualde.

   Falamos da Câmara Municipal de Mangualde, que mantém imaculados e abertos a Calçada Romana de Mourilhe, o Dolmen da Cunha Baixa (que enquadramento!), a Citânia da Raposeira.

   Falamos de todas as ermidas, capelas, igrejas perfeitamente tratadas que visitámos.

  Falamos do magnífico Real Mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão, que, pese embora a mantida ruína, preserva a sua acessibilidade original e que prazer alcançá-lo à luz do sol poente, rodeado de bons amigos.

   Falamos, ainda, de tudo o mais que visitámos e não falámos aqui.

   A todos eles, pela Hospitalidade Beirã, o nosso Bem-Haja!
Texto: Nuno Furet
Fotos: Nuno Furet, João Veríssimo e António Elísio
 
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