AzimuTTe: Tierra de Miranda
14/15 de Fevereiro de 2026
A complexa estrutura em madeira de faia, empenada e profusamente perfurada pelo caruncho, ocupa quase dois terços do exíguo espaço onde nos encontramos. A um canto, uma pequena salamandra queima lenha num esforço, pouco mais que vão, para debelar o frio agreste que entrou connosco. Ao seu lado, entalada entre a parede e a tal estrutura (afinal, um tear manual), a artesã Fátima Raposo dá forma, há mais de quarenta anos, à sua inspiração e veia artística sob a forma dos afamados Tapetes de Miranda. Na verdade, como nos explica, nada substitui o acabamento proporcionado por um tear artesanal. É a sensibilidade da artesã que determina a força no acamar das linhas e que se reflecte no acabamento superior. Eis a crucial diferença para o insensível tear mecânico. Fátima utiliza, exclusivamente (como não?), a lã de ovelha churra transmontana, ao natural. Isto é, sem corantes. Embora possua um pequeno rebanho de cem cabeças, a lã que tosquia acaba enterrada por falta de procura. Pouca é fiada para acabar num tear. É todo um árduo e demorado processo que acaba por se reflectir no preço, sem falarmos no lado criativo. A procura original por estas tapeçarias (colchas eram, na altura) desapareceu há muito. Apenas os verdadeiros conhecedores as demandam. Assim, não havendo procura suficiente, menos gente se dedica à produção e, não encorajando o aparecimento de novos artesãos, a extinção paira no ar como um abutre.
Deixamos Pruoba (Póvoa) e, uns quilómetros adiante, passando Paradela (Paradela), somos nós que pairamos sobre o despenhadeiro de Peinha de las Torres. Contudo, retrocedamos escassos cem metros, quando saímos das viaturas, e me é concedida a grata oportunidade de ler aos participantes uma missiva de boas-vindas ao Concelho de Miranda do Douro, manuscrita, em caligrafia belíssima, numa folha pautada arrancada a um caderno, remetida por uma das Técnicas do Turismo local. O inusitado acto, polvilhado de sentido de missão, educação, simpatia, atenção e charme de outras épocas (que a receita é longa e, embora fácil, de rara execução), luz ainda mais nesta sociedade que não agradece ou acusa a recepção de um e-mail, ‘conversas’ que não finalizam, porque já não se necessita do outro. Poder-se-ia aventar tratar-se de uma senhora de alguma idade, de outros tempos. Mas, não. É uma jovem! Bem haja, Dalila!
Volvendo ao nosso pairo, o local onde nos encontramos não é um local qualquer. Nem mais nem menos que a ponta mais oriental de Portugal; o território nacional onde primeiro se vê o sol nascente; o ponto onde o Rio Douro toca, pela primeira vez, terras lusas e lhe estabelece fronteira; a primeira ocasião onde o substantivo ‘miradouro’ se pode aplicar literalmente: Mira o Douro. Todos epítetos fortes e significativos. Atenho-me ao último. O feliz mirante permite-nos, então e como dizia, pairar sobre o despenhadeiro. Bem na nossa frente, o Douro. Espumando de raiva, liberta-se da derradeira barragem espanhola que o tenta reter às portas da internacionalização e lança-se veloz entre os alcantis que, ainda assim, o espartilham, ignorante do sem-número de barragens que terá de vencer.
O facto de nos encontrarmos no cimo de um despenhadeiro, supõe um planalto, constatação nem sempre óbvia. Estamos, e num com nome e estirpe: o Planalto Mirandês e língua própria. Percorramo-lo.
Rodamos entre muros musgosos de pedra retirada aos campos há séculos, fazendo-nos sentir como o rio, serpenteando lá em baixo. Uma placa diz-nos para a Capela de San Martinico. Após um punhado de centenas de metros, desembocamos numa área ampla, atapetada de verde que as chuvas dos últimos dias lustrou, e delimitada, semi-circularmente, pelo omnipresente muro musgoso. Plantada no meio deste tampo de bilhar, a capela. Todo um esplendor de dois metros de altura, metro e meio de largura e outro tanto de profundidade. Paredes lisas e cegas e um pináculo em cada canto do telhado. Uma singela cruz ao alto da porta. Terá sido opção arquitectónica ou foi o que se conseguiu com os fundos reunidos em 1918? Vendo bem, até faz sentido. A Festa de São Martinho atrai muitos fiéis. Não cabendo todos dentro do templo, porquê só alguns? Além do mais, pode-se sempre contar com o Verão do Santo para realizar uma missa campal, que a laje de granito em cima de pé único, à laia de altar, em frente à capela, parece indiciar.
Descemos um pouco o planalto, aproximando-nos da beira (será redundante dizer ‘novamente’, porque passaremos o fim-de-semana fazendo isso), a caminho do Castro e Miradouro de São João das Arribas. O local é uma amálgama muito bem cuidada e muito interessante de cultura castreja (estes castros situam-se por alturas da Idade do Bronze/Idade do Ferro), um militar romano, abrigo de pastores, covil de contrabandistas e devoção religiosa. A culminar todo este magnífico entorno, um miradouro natural (porquanto nada foi construído) na última pedra antes da queda para o rio, no fundo da garganta rochosa. No anterior miradouro pairávamos sobre o vazio sem qualquer receio, retidos que estávamos por uma balaustrada. Agora, o que nos separa de uma queda monumental e única, literalmente, é o controlo que cada um consegue do formigueiro na barriga. E é precisamente na ponta da pedra a melhor vista. Do outro lado, no planalto espanhol, cursos de água suicidam-se.
Atravessamos algumas aldeias antigas: Aldinuoba (Aldeia Nova, o que parece contradizer-me) e Bal D’ Aila (Vale de Águia). Nesta última, enraizada no meio do Largo da Igreja, uma coluna eleva uma águia. Às garras desta, um sentido poema sobre o rio, por um dos grandes defensores e impulsionadores da língua e cultura mirandesas, António Bárbolo Alves.
Segue-se o Castro e Miradouro do Castrilhouço (por estas paragens, estes tendem a andar aos pares). Um espaço bem arranjado e limpo (o que também tende a acontecer por estas paragens, começamos a aperceber-nos), com uma robusta casa em pedra, cujo enquadramento nos convidará a almoçar. A componente castreja não é tão evidente, tal como o miradouro. São necessários olhos treinados e alguma pesquisa anterior, para a primeira; e uma guia de ocasião, para a segunda. A questão é que vemos o rio e o damos por achado. Presunção nossa. Descendo e seguindo uma vereda algo dissimulada, desembocamos em mais uma pedra sobre o vazio, com uma excelente e desafogada vista para uma curva do rio.
Apenas de passagem por Miranda de L Douro (Miranda do Douro) até à Fonte dos Canos, onde desaguava a água, até finais do século XIX, trazida pelo aqueduto seiscentista. Em estilo barroco, pelo que plena de decoração e detalhes, vai, ainda, um pouco mais longe. Realmente, não é muito comum encontrar-se uma fonte encimada por cruz e com um painel às Almas. Já o escudo nacional e as armas do concelho ladeando a carranca que dispensa o precioso líquido são mais comuns.
Tal como o salmão, subimos do chafariz para o Aqueduto do Vilarinho. Vem do cimo de uma pequena colina, à nossa esquerda, com seis arcos vence de uma pernada o raso vale e desaparece na colina à direita. Parece pouca façanha, mas atentemos na construção dos arcos: tanta laje empilhada em fortes silhares, curvando regularmente até ao fecho da volta perfeita e sustentando o padrão distinto da pedraria que constitui o corpo propriamente dito do aqueduto. Sem reboco, não se esconde da nossa observação o jogo de forças e pesos que dura desde 1587.
Por fim, deixamos de circular a escassas centenas de metros das arribas e fazemos rumo ao interior do planalto. Sulcamos as suaves ondulações do terreno como num mar bonançoso. Os pequenos e frequentes charcos de água não nos causam preocupações, que o piso é firme. E avança-se e avança-se.
A paragem seguinte é já no couto de Dues Eigreijas (Duas Igrejas), no Abrigo Rupestre da Solhapa. Não há como negar, as muitas insculturas geométricas, as nossas já familiares covinhas, traços perpendiculares, semicírculos, barras rectilíneas e interligadas, e muito mais, que os nossos leigos olhos vendados por líquenes e musgos não conseguem divisar, atestam a presença humana naquela gruta de tecto tão baixo que não nos atrevemos a penetrá-la. Datam, os entendidos, a ocupação lá pela passagem do 4.º para o 3.º milénio a.C.. Veneremos, pois, estas remotas manifestações artísticas, nem que, originalmente, fossem apenas de ordem prática.
Passamos por Bila Chana de Barceosa (Vila Chã de Braciosa) a caminho de um miradouro que, curiosamente, não deita para o rio. Miradouro do Cabecito da Vinha é o seu nome e deita para vinhedos e alguns olivais. Coincide no espaço com o Local Sagrado de Santo Albino, com a ermida edificada pelos séculos XVI/XVII. Ora, este Santo foi bispo em Angers, França, no virar do século V para o VI, e terá pugnado pelo erradicação dos cultos pagãos e dionisíacos. Escolhê-lo para orago no meio da vinha, terá feito sentido, inicialmente. Porém, não deixa de ser irónico, mantendo-se as vinhas quinhentos anos depois e lagares rupestres com utilização até ao início do século XX. Todavia, talvez o mais importante, neste local, seja uma pia no solo. Presume-se que serviria para algum tipo de ablução ou purificação. Não encontrei datação, mas, talvez a existência da pia seja a razão pela qual o espaço se designa sagrado, avento eu.
Cinco quilómetros de trilhos duros depositam-nos no Castro de Cigaduenha e nas proximidades do Miradouro mais selvagem do fim-de-semana: o Miradouro da Faia Amariella (literalmente: Precipício Amarelo; em português: Fraga Amarela). Do Castro, da Idade do Ferro, conseguimos identificar alguns troços de muros. A vegetação e a ausência de sinalização deixam muito difícil mais do que isso. Já o Miradouro, há que penar um bom bocado para o desfrutar, que ele vende-se caro. Uma vereda extensa, tortuosa, pedregosa e, a espaços, dificilmente identificável, leva-nos à beira do precipício. Ao contrário dos anteriores, não há só uma beira por onde cair para o rio. Há muitas falhas por onde nos entalarmos e ricochetearmos até ao mergulho último. Cuidados mais que redobrados e medos sob açaime, permitem-nos, no entanto, desfrutar de um espectáculo único: o sol, já descente, reflecte-se na superfície líquida, obliterando a cor das águas. Rodando o olhar para nascente, reencontramos o tom acastanhado, mais ou menos carregado, consoante lhe dá ou não a sombra da escarpa espanhola. É no escuro dessa sombra que melhor se recortam as grandes aves de rapina pairando, lá em baixo, com as costas iluminadas pela luz solar. A distância a que se encontram poupa-nos ao embaraço da ignorância na identificação. Uma queda de água próxima, que apenas escutamos, serve de banda sonora a outra mais distante, que apenas vemos.
E chegamos a Picuote (Picote), berço da Frauga - Associaçon pa l Zambolbimiento Antegrado de Picuote, que imenso tem feito em prol da cultura e língua mirandesas. A sua guia aguarda-nos, impassível ao nosso atraso. Começamos por travar conhecimento com um berrão, dos raros achados in situ no seu contexto primitivo. No Terra Mater – Ecomuseu de la Tierra de Miranda, a oportunidade de aprender sobre as características das Estelas do ‘Tipo Picote’, com a sua suástica de número variado de raios curvos, que apenas se encontram na região. A caminho da Capela do Santo Cristo, cruzamos o Largo do Toural, com algumas das habitações mais antigas e rústicas da aldeia, no qual se juntavam bois com vacas, esperando finais felizes. Chegados à Capela, depara-se-nos um fresco quinhentista, lindíssimo, competentemente restaurado, retratando a vida de São João Baptista, e que esteve escondido atrás de um altar barroco por cerca de duzentos anos. Cá fora, as ruínas de uma Villa romana parecem-nos algo deslocadas. No último miradouro do dia, Peinha de l Puio (Fraga do Puio), tal como no primeiro, pairamos, descontraidamente, sobre o abismo. A curva do rio é fechada e, fruto da Barragem do Picote, um pouco a montante, a corrente é forte e apresenta uns esfiapados brancos, quais fios de natas numa ganache. À mão direita, junto aos nossos pés, uma fraga arredondada afecta-nos os sentidos de dois modos: em cima dela, se nos desequilibramos para trás a tentar fotografar o que nos levou a pisá-la, acabamos na ganache, com mortais e piruetas à retaguarda; gravado no granito, a insólita figura rupestre de um arqueiro retesa o arco há milhares de anos.
Perdurando há quase quinhentos anos, os frescos do Eremitério Os Santos almejam os milénios. O sol vai correndo à nossa frente, mais depressa do que conseguimos rodar em piso irregular e duro e ganha-nos. Descemos a inclinada encosta já embrulhados na escuridão e é com o foco dos faróis que descobrimos o penedo no qual foi talhado o abrigo que viria a ser o eremitério. Um murete de umas quantas fiadas de pedra é o que resta da parede que fechava o espaço. Quase tropeçamos nele, porque, à luz dos telemóveis, os nossos olhos estão dominados pelos dois frescos enormes que despertam das trevas com a nossa intromissão. Magníficas pinturas da Coroação da Virgem e S. Paulo Apóstolo, num painel; e a visita de Santo Antão a S. Paulo Eremita, no outro. No tecto, um firmamento estrelado, já pouco visível, pretende emular o original, lá mais acima. A data de 1553, inscrita num dos painéis, atesta a antiguidade. Trata-se do único eremitério com frescos a céu aberto, na Península Ibérica. Só isso, já seria motivo de reverência. Não necessariamente religiosa, tão só de respeito por algo que venceu as inclemências do tempo. Contudo, ao chegarmos de noite, o efeito cénico e psicológico é ampliado. Há um misticismo latente que nos emudece por instantes. No meio do nada, longe de tudo, encravados na encosta, brotando do escuro, é uma experiência e tanto!
No escuro, também, pois a iluminação pública faz-lhe o favor de não derramar o clarão de luz sobre ela, aliviando-lhe o pudor, esconde-se a desactivada Estação de Caminhos de Ferro de Miranda / Duas Igrejas. É a única altura em que nenhum transeunte repara no deplorável estado em que se encontra. Durante o dia, exposta até ao olhar mais desatento e breve, imagino quanto não sofrerá de vergonha pelo aspecto que apresenta. De um traço arquitectónico que fez escola neste tipo de equipamento, é dos mais bem conseguidos e bonitos. A decoração azulejar, exibindo as tradicionais cenas da vida rural e património local, é profusa e bela. Miraculosamente, ainda completa, embora em mau estado. A varanda nobre alpendrada do primeiro andar, de si rara, deitando para a rua, ostenta na balaustrada, num listão, o nome do responsável por esta dor de alma: ‘Caminhos de Ferro do Estado’.
Depois de um suculento jantar de posta mirandesa (what else?, como diria o Clooney), para ajudar à digestão, deambulamos pela XXVII Feira de la Bolha Doce i de ls Perdutos de la Tierra (Festival de Sabores Mirandeses), onde compramos enchidos, queijos, doces, roupa, recordações, tudo típico do Planalto Mirandês e que nos ajudarão a reviver este fim-de-semana, já no aconchego dos nossos lares.
No domingo, apresentamo-nos na antiga Alfândega (século XV), agora Casa da Cultura Mirandesa, para desvendarmos, se possível, a origem da Língua Mirandesa e algo das tradições desta Terra, como a capa d’honras e a dança dos pauliteiros. Mune-nos do conhecimento necessário para ‘lermos’ o que veremos no resto do dia.
Segue-se a Concatedral. O prefixo ‘Con’ encerra em si um espinho cravado na alma dos mirandeses, que tem a sua expressão máxima na Cadeira do Bispo vazia. Jamais perdoaram (perdoarão?) ao Bispo Frei Aleixo de Miranda Henriques o ter abandonado a Catedral de Miranda do Douro, em 1764, mudando-se para Bragança, que nem catedral tinha, acabando a cidade por perder o bispado. Edifício imponente numa urbe rasa abrigada na cerca medieval, apresenta um dos melhores retábulos da Península Ibérica, cortesia de Filipe II de Portugal, onde mergulhamos nas expressões das figuras e nos perdemos de face para face, nos sentimentos que as habitam. Um Menino Jesus da Cartolinha (visitem) constitui-se como mais uma das particularidades desta Concatedral.
À saída, enquanto os sinos badalam, debruçamo-nos, por uma última vez, sobre o Douro, visto desde o adro. Paralelo ao rio e a meia-encosta, uma estrada. Mais perto de nós, a cerca medieval. Lá em baixo, a meia-de-leite parece parada, fruto da barragem a jusante que nos encerra a vista. De algum modo, por bela panorâmica que proponha, este miradouro é inócuo. Falta-lhe o dramatismo e a adrenalina de pairar sobre o abismo ou estar a menos de um passo da queda última vividos nos outros. Mal-habituados que estamos, não nos demoramos e prosseguimos.
Ao lado, as ruínas do Paço Episcopal, cuja grandeza atestamos pela planta das fundações visíveis, serve de poiso temporário a parte do acervo do Museu Terra de Miranda, em renovação.
De volta ao recinto do Festival, deparamo-nos com uma actuação de Pauliteiras de Miranda (é mesmo assim, no feminino). É coisa recente. Pode-se julgar um sacrilégio, por ser uma dança exclusivamente masculina; o quebrar de uma tradição (por definição, antiga); a invasão de um ‘território’ onde a mulher não tem lugar; e muito mais. Por um lado, sim. Por outro, porque não? Trata-se da minha primeira experiência, ao vivo, com esta típica dança mirandesa, pelo que estarei falho de argumentação. Tal como a vejo, não me parece uma emulação da dança masculina, desde logo na intensidade das pancadas e nas demonstrações de força e destreza que ornam aquelas. Antes uma versão feminina, com nuances próprias, de um tema clássico masculino. Daqui a cinquenta ou cem anos, as gentes assistirão a algo que terão como tradicional. Eu, prefiro sentir-me um privilegiado por presenciar o nascer de uma tradição.
Tradicional é o Burro Mirandês. A ‘aula’ ministrada pela AEPGA - Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino permite-nos olhar com outros olhos nos olhos, naturalmente sublinhados a branco, dos exemplares desta nobre raça que compartem habitação temporária com outros magníficos exemplares de raças mirandesas, do cão, ao touro, passando por ovinos, caprinos e suínos, num anexo ao Festival.
Percorremos, agora, as ruas medievais da cidade, descobrindo alguns dos seus tesouros: a quinhentista casa dos cachorros eróticos, embora só tenhamos visto um; uma outra, quatrocentista, que foi a Real e Nacional Hospedaria do ‘Zambeiro’, de 1822; a mais medieval das ruas, da Costanilha de seu nome; o castelo, com as sucessivas transformações; e muito mais.
De tarde, os Pauliteiros. Como disse, uma estreia ao vivo, para mim. Impressiona-me a velocidade, destreza, sincronismo e, sobretudo, a violência das pancadas, a que a televisão não faz jus. No seu todo, uma experiência extraordinária, vivida de muito perto.
Planalto abaixo, a caminho da costa, a dança dos pauliteiros é uma boa metáfora para o turbilhão de visões e emoções desta primeira visita a Tierra de Miranda.
PS - Um agradecimento a todos os funcionários municipais, empresas e particulares com os quais me cruzei na organização deste AzimuTTe e que foram de uma disponibilidade ímpar. Bem hajam.
Texto: Nuno Furet
Fotografias e vídeos: António Marques, Catarina Vale, Celeste Carrasco, Clara Silva, Eduardo Antunes, Fernando Paixão, João Veríssimo, Nuno Furet, Nuno Salgueiro